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TÉCNICAS DE RESPIRAÇÃO PARA INSTRUMENTOS DE SOPRO (TROMPETES, TROMBONES, TUBAS, BOMBARDINOS)

O DIAFRAGMA - A FONTE DE ENERGIA

Para que exista som, é necessário que alguma força coloque algum corpo em movimento.
Este por sua vez transmite suas vibrações para o ar; as vibrações do ar fazem
com que a membrana de nossos tímpanos entre em vibração; essa vibração é transmitida
pelo nervo auditivo para o nosso cérebro. Este é, em poucas palavras, o esquema
de funcionamento de qualquer sistema sonoro.
Essa força inicial pode ter várias origens, dependendo do sistema.
Num tambor, ela vem da força produzida nos músculos do braço do instrumentista;
num órgão eletrônico, vem da energia elétrica que aciona os geradores de som;
num órgão de tubos, origina-se com a energia produzida pelo compressor de ar,
e assim por diante.
Nos instrumentos de sopro, a energia origina-se num músculo em forma de cúpula,
situado entre o tórax e o abdômen, chamado diafragma. Esse músculo, apoiado
por todos os outros que circundam, é o gerador de força dos instrumentos de
sopro.
O bom funcionamento do diafragma e seus auxiliares é o fundamento da técnica
de qualquer instrumento de sopro.

A COLUNA DE AR - O CONDUTOR DA ENERGIA

Dificilmente a fonte geradora de energia atua diretamente sobre o corpo que
irá vibrar. No caso do tambor, por exemplo, a força do músculo do braço é transmitida
à "pele" do instrumento através da baqueta. No órgão eletrônico, a energia elétrica
é transmitida pelos fios; num violino, pelo arco. No caso dos instrumentos de
sopro, a energia produzida pelo diafragma e seus auxiliares é transmitida até
os lábios por uma coluna de ar delimitada pelos canais do nosso sistema respiratório.
Ou seja, o ar que está em nosso corpo, entre a base dos pulmões e nossos lábios,
ao ser empurrado para fora, passando por entre nossos lábios, funciona de maneira
análoga ao arco de um violino passando pelas cordas.

OS LÁBIOS - O CORPO VIBRANTE

Em qualquer sistema sonoro, existe um ou mais corpos físicos que vibram. No
tambor é a "pele"; no violino são as cordas; num órgão eletrônico é o cone do
alto-falante; numa clarineta é a palheta, e assim por diante. Na execução dos
instrumentos de metal, os corpos que vibram são os lábios.

BOCAL - UM PRÉ-AMPLIFICADOR

Na maior parte dos sistemas sonoros, os corpos que vibram geralmente não têm
potência suficiente para gerar um som forte o bastante, necessitando portanto
de uma amplificação. A maneira mais natural que existe de se amplificar um som
é a de fazê-lo ressoar dentro de um espaço semi-fechado. Assim, temos nos tambores
a caixa de ressonância formada por suas laterais; num violino, temos o corpo
do instrumento funcionando como caixa de ressonância para as cordas; num instrumento
eletrônico, é a caixa acústica que funciona como caixa de ressonância para os
alto-falantes, etc.
Num instrumento de metal, a situação é um pouco mais complexa. Podemos dividir
o aparelho ressoador em três partes: o bocal, o corpo do instrumento e o pavilhão.
Analisando-se o sistema como um todo, podemos ainda considerar a cavidade formada
pela boca e garganta como um quarto ressoador.
O bocal funciona como uma espécie de "pré-ressoador", ou pré-amplificador.
Primeiro, o som produzido pela vibração dos lábios coloca sob vibração o ar
contido na caixa de ressonância formada pela taça do bocal; depois, passando
pelo orifício interno do bocal, coloca sob vibração o ar do instrumento.

O CORPO DO INSTRUMENTO - UMA "CORDA DE AR" VIBRANDO POR SIMPATIA

A maneira mais fácil de se compreender o que acontece dentro de um instrumento
de metal é imaginar a coluna de ar em seu interior como sendo uma "corda de
ar". Aliás, seu comportamento é muito semelhante ao de uma corda. Se você abrir
a tampa de um piano e, abaixando o pedal da direita, cantar uma determinada
nota dentro de sua caixa de ressonância, poderá observar que a corda correspondente
à nota que você cantou estará vibrando. Se cantarmos uma nota bem grave, veremos
que, além da nota cantada, estarão vibrando uma série de notas acima dela. É
a chamada série harmônica, que está para o som assim como o arco íris está para
a luz. Ela é um fenômeno físico que se manifesta em todo o corpo que vibra.
Quando os seus lábios vibram, acontece algo semelhante ao que verificamos quando
você canta dentro do piano: a "corda de ar" existente dentro do instrumento
vibra por simpatia, a partir das vibrações de seus lábios.

A CAMPANA OU PAVILHÃO - A AMPLIFICAÇÃO FINAL DO SOM

A última parte cônica do instrumento, que corresponde a 50% do comprimento
de um Trompete, 39% de um Trombone e 28% de uma Trompa, é a principal responsável
pelo timbre e a amplificação final do som produzido pelos lábios. Prova disso
é que, ao se introduzir uma surdina no pavilhão de um instrumento, altera-se
drasticamente seu timbre e volume sonoro, praticamente sem se interferir em
sua afinação.
Agora, juntando as peças, você pode ir se conscientizando do funcionamento
desse complexo sistema, que se inicia no seu diafragma e termina na saída do
pavilhão de seu instrumento (pode-se mesmo dizer que esse sistema termina nas
paredes da sala onde você está tocando).

COMO DESENVOLVER OS MÚSCULOS DA EMBOCADURA:

A preparação muscular

Para termos uma embocadura eficiente, devemos ter os músculos que a compõem bem treinados e sob controle. E para podermos adquirir controle sobre eles, é necessário trabalhar cada músculo isoladamente. Normalmente, para uma pessoa adulta, é um tanto difícil controlar seus músculos isoladamente, pois normalmente, utilizamo-los em "blocos", sem ter consciência exata de quais estamos a empregar numa determinada postura.
Os três pares de músculos que formam a embocadura são os do queixo, os dos cantos do lábio, e os que formam a parte vermelha do lábio. Esses músculos, para poderem criar a tensão necessária nos lábios e fazê-los vibrar, trabalham em sentidos opostos:

· O queixo para baixo
· Os cantos do lábio para fora
· O anel do lábio circularmente para dentro

Dados retirados do manual da Weril.

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